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Sifreca

Milho - Outubro/2014 - nº 02

Caracterização do Mercado do Milho

Produção

Com as colheitas de milho já finalizadas nas maiores regiões produtoras do país no mês de setembro, o cenário permanece similar ao mês anterior. A primeira estimativa realizada em janeiro pela Conab, referente a segunda safra do milho, refletia um forte grau de incerteza na sua produção, porém em função das condições climáticas favoráveis ao longo de todo a fase crítica de desenvolvimento da cultura, a produtividade se consolidou e contribuiu no alcance da marca de 48,25 milhões de toneladas, apresentando aumento de 2,8% se comparada a safra anterior, e de 2,94% referente ao mês anterior (Figura 1).

Visto que os preços dos cereais no mercado interno continuam em declínio, a expectativa é de uma tendência de permanência do milho nos armazéns, com possíveis escoamentos de todo o grão em um mesmo momento, indicando ainda mais dificuldade no seu escoamento, principalmente nos estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Paraná, onde as produções de milho são significativas.

Fonte: Elaborado a partir de dados da CONAB (2014). Figura 1 – Estimativa da produção mensal de milho (em mil t), safra 2013/14
Fonte: Elaborado a partir de dados da CONAB (2014).
Figura 1 – Estimativa da produção de milho (em mil t)

Exportação

Relativamente a comercialização do grão, o volume de milho brasileiro exportado quando comparado a safra de 2013, apresenta-se inferior, em todos os meses de 2014, sem exceção. Estima-se que a exportação total de milho do Brasil deverá se manter em 21 milhões de toneladas para esta safra, até o momento em que se alcance o número exportado da commodity na safra anterior (Figura 2).

Diante de uma baixa escala de comercialização associada a expectativa de uma super safra nos Estados Unidos, vem sendo realizados leilões do produto em regiões distintas do país buscando uma intensificação nas movimentações internas dos grãos uma vez que o mercado predominante desta safra seja o interno com direcionamento voltado em maiores escalas para as industrias processadoras, fabricas de ração e granjas.

Graças a essa expectativa de retomada nas movimentações associada a necessidade de liberação de espaço dentro dos armazéns a expectativa gira entorno do aumento da comercialização do milho até o final de 2014.

Fonte: Elaborado a partir de dados da SECEX (2014). Figura 2 – Evolução da exportação mensal de milho, (em mil t) de 2012 a 2014
Fonte: Elaborado a partir de dados da SECEX (2014).
Figura 2 – Evolução da exportação mensal de milho, em mil t (de 2012 a 2014)

Os fluxos nos corredores de exportação se reduziram de forma acentuada, limitando as cotas de contratos fechados antecipadamente. Das movimentações realizadas, houve um aumento nas direcionadas ao mercado externo pelos terminais ferroviários de Rondonópolis (MT) e Araguari (MG).

Já o terminal o terminal de transbordo de Porto Franco (PA), apresentou uma interrupção no embarque associado ao terminal portuário de Aratu (BA) que interrompeu suas operações de desembarque na primeira quinzena do mês, reduzindo ainda mais a dinâmica de fluxos na região da Bahia.

Os portos de Santos (SP), e de Paranaguá (PR) apesar de terem sofrido reduções nos volumes escoados, representam ainda 63% do escoamento total referente ao milho. Sem gargalos logísticos e filas de estadia de veículos, a maioria dos portos realizaram suas operações normalmente graças a quantidade de embarques ainda baixa.

Ao analisarmos a Figura 3, podemos observar que o escoamento do milho apresentou alterações no cenário de participação dos portos se comparado ao mês de agosto, apresentando reduções nas movimentações de Santos e Paranaguá e elevações em torno de 15% voltadas para outros portos como São Francisco do Sul, Rio Grande, uma vez que os últimos possuam maior facilidade na aquisição das cotas além de apresentarem, em alguns casos, maior proximidade de centros produtores.

Fonte: Elaborado a partir de dados da SECEX (2014). Figura 3 – Participação dos portos na exportação total de milho (%)
Fonte: Elaborado a partir de dados da SECEX (2014).
Figura 3 – Participação dos portos na exportação total de milho (%)

Preço

A expectativa de uma super safra nos Estados Unidos vem influenciando as cotações na Bolsa de Chicago somada ao alto volume de milho disponível internamente no Brasil. A combinação dos dois motivadores vem influenciando os preços domésticos do milho, principalmente nos estados produtores de altos volumes como o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e a Região do MATOPIBA.

O milho que em 2013 apresentava um valor médio de R$ 25,91, atualmente encontra-se em R$ 22,00 (CEPEA, 2014). Na tentativa de compensar os baixos preços, muitos motoristas permaneceram nas zonas portuárias, aguardando fretes de retorno de fertilizantes ocasionando elevação da oferta de veículos para o produto.

 

Análise do Mercado de transporte

  Comportamento geral do Mercado de fretes de Milho

A expectativa do mercado é de que apesar de haver uma tendência de crescimento dos volumes transportados de grãos, os valores da commodity registrem mais reduções até o final de 2014, influenciado pela sucessão de fatores externos e ao elevado volume do grão presente nos armazéns. A faixa de variação dos fretes de milho se comparada ao mês anterior apresentou modificações significativos, apresentando 100% da sua concentração nas faixas negativas, variando entre -0,1% a -20% (Figura 4).

Em virtude das poucas movimentações, graças ao preço desfavorável das commodities no mercado, os valores de fretes do grão apresentam-se baixos, fazendo com que algumas rotas apresentem os mínimos valores dos preços dos fretes que podem ser praticados além de gerar uma alta disponibilidade de veículos.

Apesar de haver uma projeção para o aumento nos volumes transportados do milho até o inicio da safra verão, espera-que que ocorram pequenos reajustes nos valores de fretes, os mesmos devem permanecer baixos e estáveis graças a predominância das negociações “spot” uma vez que os transportes encontram dificuldades para realização de previsões no médio e longo prazo.

Fonte: ESALQ-LOG (2014). Figura 4 - Variação do frete rodoviário de milho das rotas coletadas, nos meses de agosto e setembro/2014
Fonte: ESALQ-LOG (2014).
Figura 4 - Variação percentual do frete rodoviário de milho das rotas coletadas (setembro em relação a agosto de 2014)

Comportamento do Mercado de fretes nos corredores de exportação

De maneira geral, mesmo com crescimento dos volumes carregados, os preços dos fretes continuam baixos e estáveis com predominância das movimentações voltadas para o mercado interno, direcionados às indústrias processadoras e granjas.

Os portos de Santos e de Paranaguá, de maneira geral, operaram em boas condições climáticas e não apresentaram entraves logísticos, assim, os valores dos fretes do milho nestes corredores permaneceram estáveis, ligeiramente abaixo patamares apresentados anteriormente.

Semelhantemente ao cenário observado nos portos, no norte do MT e em Goiás o mercado de fretes dos respectivos corredores permaneceram estagnados por quase todo o mês de setembro. E apesar das movimentações dos grãos terem sofrido pequenos aumentos nos volumes, os corredores de exportação sofreram forte redução nos fluxos praticados também graças a predominância das movimentações no mercado interno. Na região sul do MT a maior parte dos carregamentos tem seguido para o mercado externo via terminal ferroviário de Rondonópolis, dando destaque também para maior utilização do terminal de Araguari-MG.

Acredita-se que a expectativa de aumento nas movimentações influencie em maiores dimensões o cenário interno, uma vez que graças a boa produtividade do grão em outros países associado a desvalorização da commodity tenda a influenciar ainda mais o desaquecimento das movimentações voltadas a exportações.

Fonte: ESALQ-LOG (2014). Figura 5 - Evolução dos índices de fretes de milho de regiões produtoras selecionadas com destino exportação
Fonte: ESALQ-LOG (2014).
Figura 5 - Evolução dos índices de fretes de milho de regiões produtoras selecionadas com destino exportação

Equipe Responsável

  • Amanda Cristina Gaban
  • Elisandra Cardoso
  • Luis Henrique Plens
  • Marina Granato
  • Ricardo de Campos Bull
  • Stella Rocha Fernandes Inacio

 

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