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Sifreca

Soja - Outubro/2014 - nº 02

Caracterização do Mercado da Soja

  Produção

O mês de setembro foi caracterizado no cenário de produção como estável para a soja, totalizando o final da safra com volume de 86.120,8 milhões de toneladas, ou seja, 5,7% superior à safra passada (CONAB, 2014). Como podemos observar, a Figura 1 demonstra o crescimento de 0,5% em relação ao mês de agosto, concluindo a estabilidade do mercado quanto ao fim da colheita em todo o país.

Os últimos meses foram marcados pelo registro de um período de seca a níveis expressivos em grande parte do país. A Hidrovia Tietê-Paraná que há meses encontra-se com trechos não navegáveis influenciou um aumento no fluxo rodoviário para os terminaisde Uberlândia(MG), Araguari (MG), Tubarão (ES) e Santos (SP). Ao invés de utilizar tradicionalmente o terminal de São Simão (GO).

Com o fechamento oficial da atual safra de grãos, as expectativas para outubro são de início de plantio da nova safra nos maiores estados produtores Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná além da expectativa de que a nova safra se desenvolva com alta produtividade.

Fonte: Elaborado a partir de dados da CONAB (2014). Figura 1 – Estimativa da produção mensal de soja (em mil t), safra 2013/14
Fonte: Elaborado a partir de dados da CONAB (2014).
Figura 1 – Estimativa da produção de soja, em mil t

Exportação

A exportação da oleaginosa no mês de setembro, segundo dados da SECEX, apresentou queda no volume enviado ao mercado externo. Tal cenário segue o ritmo do mês de agosto nos quais,quando comparados com as exportações de 2013, apresentaram menor fluxo como pode ser observado na Figura 2.

Este cenário de retração nas exportações é justificado pela comercialização adotada, na qual as entregas ao externo foram antecipadas para o início do ano conforme avançava o período de colheita, satisfazendo os contratos realizados antes mesmo de a soja ser plantada.

A partir da figura 2, nota-se redução de 23% nas exportações de setembro em relação ao mesmo período do ano passado, cuja soja apresentara comportamento diferente, grandes volumes ainda estavam estocados e eram liberados aos poucos, atualmente há pouco volume em estoque. As expectativas para o mês de outubro é de continuidade do cenário de queda.

Fonte: Elaborado a partir de dados da SECEX (2014). Figura 2 – Evolução da exportação mensal de soja (em mil t), de 2012 a 2014
Fonte: Elaborado a partir de dados da SECEX (2014).
Figura 2 – Evolução da exportação mensal de soja, em mil t (de 2012 a 2014)

O mês de setembro apresentou crescimento de 14% na atuação de “outros portos” em relação ao mês de agosto, comprovando maior fluxo de soja pelos portos do chamado “Arco Norte”, uma vez que os portos de Santos e de Paranaguá estão voltados para exportação de outras commodities como é o caso do açúcar.

Fonte: Elaborado a partir de dados da SECEX (2014). Figura 3 – Participação dos portos na exportação total de soja (%)
Fonte: Elaborado a partir de dados da SECEX (2014).
Figura 3 – Participação dos principais portos na exportação total de soja (%)

Preço

A Bolsa de Chicago apresentou quedas expressivas nas cotações de soja mediante a divulgação da safra recorde que será colhida nos Estados Unidos uma vez que espera-se alcançar a produção de 103,9 milhões de toneladas segundo o último relatório divulgado. Por outro lado, segundo a Conab (2014), dois fatores podem ainda dar suporte às cotações internacionais da soja, sendo eles: 1) o estímulo pela crescente demanda chinesa; 2) possíveis adversidades climáticas em regiões produtoras dos Estados Unidos, como a estiagem.

Apesar disso, os preços da commodity caíram de US$ 12,15/bushel (US$ 446,44/t) para US$ 10,89/bushel (US$ 400,32/t) sendo avaliado como uma das menores cotações desde 2010. As expectativas para o mês de outubro são de estabilidade tendendo a permanecer em baixos valores.

Análise do Mercado de transporte

  Comportamento geral do Mercado de fretes da Soja

Os preços dos fretes de soja no mês de setembro apresentaram um cenário composto tanto por decréscimos quanto por acréscimos de em média 5% de reajustes, como pode ser observado na Figura 4. O valor do frete da commodity em suma apresentou maior porcentagem de rotas com reajustes negativos, uma vez que o fluxo de soja está fraco o grão está em pleno fim de safra e encontra-se desvalorizada.

Para aqueles pontuais fretes de soja que apresentaram reajustes positivos o principal motivador está associado a maior frequência e ao destino fixado como traders ou empresas de ração. Assim, soja escoada nos meses do segundo semestre provém de estoques e compete com o escoamento do milho segunda safra neste período.

As expectativas para a precificação do serviço de transporte para o mês de outubro são de estabilidade nos valores dos fretes da soja uma vez que o mercado desta commodity é caracterizado com fraco neste período. Portanto, os transportes deverão cair progressivamente com o esgotamento dos estoques.

Fonte: ESALQ-LOG (2014). Figura 4 - Variação do frete rodoviário de soja das rotas coletadas, nos meses de agosto e setembro/14
Fonte: ESALQ-LOG (2014).
Figura 4 - Variação percentual do frete rodoviário de soja das rotas coletadas, (setembro em relação a agosto de 2014)

Comportamento do Mercado de fretes nos corredores de exportação  

O corredor de exportação do Mato Grosso apresentou leve reajuste positivo nos fretes uma vez que é o maior estado produtor de soja do país, e deste modo ainda possui grandes estoques de soja armazenada para ser escoada.

Os outros corredores de exportação apresentaram leve reajuste negativo nos fretes de soja motivados pelas atividades da CONAB, a qual realizou quatro leilões Pepro, incentivando o escoamento do milho safra, deste modo competindo com o escoamento da soja armazenada.

As expectativas são de redução de fluxo de soja em todos os corredores de exportação do país, uma vez que a soja já está iniciando seu novamente seu ciclo, com o plantio no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.

Fonte: ESALQ-LOG (2014). Figura 5 - Evolução dos índices de fretes de soja de regiões produtoras selecionadas com destino exportação
Fonte: ESALQ-LOG (2014).
Figura 5 - Evolução dos índices de fretes de soja de regiões produtoras selecionadas com destino exportação

Equipe Responsável

  • Amanda Cristina Gaban
  • Daniele Tavoni Longhim
  • Elisandra Cardoso
  • Luis Henrique Plens
  • Marina Granato
  • Ricardo de Campos Bull

 

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